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Ponte Sobre Águas Turbulentas

A noite fria impulsiona os sentimentos, remexe lembranças e me leva a viajar no tempo e no espaço da mente. Não sei ao certo para onde fui dentro de mim, mas onde estive senti saudades de tudo o que vivi e das pessoas que conheço. Há muito não vinha para esse cantinho escrever. Faltava-me coragem, disposição. Andei meio melancólico.  As andanças da vida atrás do trabalho, de resolver os problemas meus e dos meus. Tudo às vezes me pesa. Felizmente tenho uma mulher e filhos maravilhosos. Eles me sustentam enquanto Deus me segura. Daqui há poucos dias, com a graça de Deus, faremos dezesseis anos de casados.Quantas vezes senti minha mulher, maravilhosa, segura, a me encorajar, a me corrigir e a caminhar comigo. Deus deu-me muito mais do que uma companheira. Não sei defini-la. Sei que em todos os momentos difíceis pelos quais passei depois de adulto ela esteve comigo. Espero que continue assim, como ela é: como uma "ponte sobre águas turbulentas".

Linha de chegada

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Cruzar a linha de chegada causou uma emoção indescritível. O barulho das pessoas incentivando, a euforia causada pela entrega dos prêmios àqueles que, merecidamente, alcançaram os primeiros lugares, tudo por um instante parou no tempo quando passei pelo tapete, ainda temeroso de que o "chip" pudesse falhar e não registrar o tempo. Coisa de principiante. Há mais de um ano e meio e cerca de dezoito quilos mais gordo, era improvável que me passasse pela cabeça participar de uma prova rústica. Pesava-me o corpo e a mente insistia em dizer não a atividades físicas. Pesava-me igualmente a consciência, a todo o momento bombardeada por mensagens para deixar o sedentarismo e emagrecer. Um conjunto de fatores me fez tomar coragem e ir adiante na empreitada, apesar de muitos (inclusive meu cardiologista!) duvidarem que conseguiria, pois tamanha é a dificuldade de se reverter um processo mental e físico equivocado. Entre esses fatores, a ânsia de assegurar a saúde para ter mais dispo...

A prova

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Era noite de terça-feira, por volta das 20 horas e 30 minutos. Certamente ele estava feliz no seu primeiro dia de férias e faltavam apenas uns quinhentos metros para chegar em casa, descansar nos braços da esposa e curtir as duas filhas, sua linda família. Se houvesse tempo, antes de apagar a luz da garagem para dormir, ainda poderia, antes de ir dormir, dar uma olhada no Opala marrom que estava restaurando. O suor, apesar do friozinho da noite, devia escorrer-lhe pela face. Quem sabe ele até estivesse arriscando uma "forçadinha", pelo condicionamento que vinha adquirindo, afinal, a prova escrita do concurso se aproximava e, com ela, a iminência do teste físico que o motivava a estar ali na rua àquela hora. Talvez ele até tenha percebido a aproximação do Fiat Uno pela suas costas, mas não pôde reagir. Na reportagem fria do jornal do dia seguinte, o título dizia apenas que o trânsito maringaense fizera sua vigésima nona vítima no ano. Tantas vezes ...